A vitória da inteligência sobre a força bruta

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O resultado do recente encontro em Singapura (12/06) entre Kim Jong-un e Donald Trump podemos analisar da seguinte forma:

Não muito tempo atrás a RPDC foi obrigada a entrar numa alucinante corrida contra o tempo para desenvolver as ogivas nucleares do tamanho adequado para ser transportado por um míssil, e ao mesmo tempo, paralelamente desenvolver o seu próprio míssil intercontinental. Parecia uma missão impossível de ser realizado por um país pequeno e com poucos recursos materiais. Diferente da época dos EUA e da União Soviética, que desenvolveram primeiro seus artefatos nucleares para ser lançados por bombardeiros, e só anos mais tarde desenvolveram os seus mísseis intercontinentais.

O principal motivo, foi exatamente a chegada de Donad Trump ao poder e sua política do “porrete” e as duras sanções econômicas. A guerra seria uma questão tempo, e isto estava claro devido as manobras militares conjuntos EUA-Coreia do Sul.

Soma-se a estes fatores a personagem belicosa presidente sul-coreana Park Geun-hye. Porém, os ventos começaram a mudar de direção. Com a destituição e a prisão de Park Geun-hye, foi se também o plano do assassinato de Kim Jong-un.

O novo presidente sul coreano Moon Jae-in com uma postura pragmática, ciente como Kim Jong-un que a Coréia do Sul é o elo mais frágil do imperialismo norte-americano no Extremo-Oriente, e em caso de uma guerra seria totalmente arrasada. Este foi o sinal para preparação de uma investida diplomática de Kim.

A chance apareceu durante a Olimpíada de inverno na Coréia do Sul, onde os atletas da RPDC puderam competir e altos dirigentes da RPDC puderam negociar um encontro entre os presidentes.

Deste encontro surgiu o compromisso da RPDC de congelar os testes atômicos e de mísseis. Da parte sul-coreana de cessar as provocações na fronteira de ambos os países e também fazer a intermediação para encontro de Kim e Trump.

Apesar do encontro em Singapura ter sofrido idas e vindas até o último momento, com a insinuação por parte dos norte-americanos que poderia ser cancelado, Trump ficou numa sinuca de bico, pois a reputação da diplomacia americana sofreu vários desgastes em curto espaço de tempo.

Os recentes anúncios do aumento da tarifa do aço e do alumínio, a guerra comercial contra a China e a revogação do acordo nuclear com Irã causaram vários protestos de governos e um ambiente hostil contra os EUA.

Contrariado mas sem poder recuar ele teve de ir, e como resultado, foi anunciado um documento superficial em que ambas as partes assumiam o compromisso de desnuclearização da península coreana.

Os grandes vencedores foram Kim, Xi Jinping e Putin, pois foi conseguido o compromisso da Coréia do Sul e EUA de cancelar as manobras conjuntas indefinidamente.

Esse duplo congelamento dos testes nucleares e atômicos x manobras militares já havia sido proposto meses atrás tanto pela China e Rússia, e havia sido peremptoriamente rejeitado pelos EUA.

Agora a RPDC terá um longo tempo pela frente para negociar de forma soberana o seu programa nuclear, enquanto Trump daqui a algum tempo será apenas uma triste lembrança do passado!

De resto o que ficou mesmo é imagem de Trump dando continências ao general norte-coreano.

 

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