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Argentina – O dia em que “A explosão foi as urnas”

Eleitores comemoram a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner nas primárias argentina

Por Marta Dillon

Não há felicidade melhor do que a felicidade compartilhada e nesta primeira segunda-feira do resto da nossa vida política a felicidade coletiva parece com correntes de ar quente, como fazer cócegas na barriga, como um desejo de chorar de alegria e você abraçar todas as pessoas que você já quer e principalmente aqueles que você reconhece na rua porque elas carregam aquele sorriso desenhado que só é alcançado depois de uma partícula de amor ou depois de sentir que o poder de transformar a cena política e também a vida diária está em nossas mãos. Nas mãos daqueles que têm nomes esquecíveis, de quem fazemos contas todos os dias para sobreviver, daqueles que se reconhecem como povo e não como “gente”.

Que felicidade! Deve ser dito novamente: que felicidade! O cansaço quebrou as paredes da represa que nos fez aguentar todo esse tempo, Basta! A “Onda” contagiante e sorrisos explodem, se comemora nos locais de trabalho, a cumplicidade é sentida na plataforma do metrô e os chats transbordam com abraços virtuais. E lá os deuses obscuros dos mercados empurrando o dólar para nos disciplinar, para tentar sem sucesso apagar a euforia popular com especulação. É uma algema que eles perdem hoje, mesmo que pretendam dissolver nossa renda – que temos – pela força da desvalorização e extorsão econômica praticamente terrorista. Fui até que comedida com as palavras. Porque essa vontade popular, todos aqueles órgãos que foram mobilizados no domingo, não estavam apenas procurando acabar com a constante expropriação do nosso tempo e nosso poder de pagar as contas para as grandes empresas de energia, para as quais os dólares são levados para fora, para aqueles que compram títulos – o presidente, por exemplo – da miséria da maioria.

Foi isso também, mas não só. Porque também votaram na memória de Santiago Maldonado, dos quatro adolescentes mortos em San Miguel del Monte, votaram contra a doutrina Chocobar, das armas sempre dispostas de Patricia Bullrich. Que não houve explosão diante da violência do Estado? A explosão foi nas urnas. A explosão ainda é sentida em ondas de choque que empurram o desejo de se juntar a amigos, com todos e cada um que temos resistido nestes quatro anos em que parecia que o céu pesava em nossas cabeças e o ar ao redor não alcançava, mas nós não deixamos de sair para a rua, abraçar ministérios, exigir o aborto legal, dissemos e repetimos Nem Um a Menos, começamos as greves com as centrais operárias dos sindicatos combativos, caminhamos com os movimentos sociais que se rebelam à constante privatização do patrimônio público com chamado Macrista para “fazer o futuro” um por um e sem olhar para quem tem ao lado.

Nós resistimos e aqui estamos, resistindo à ameaça a ponto de desapropriar fundos especulativos que se opõem à alegria popular, oposição à decisão e à vontade política de transformar não apenas a economia, mas também um paradigma em que o empreendedorismo, a meritocracia, a indiferença aos que ficaram na rua, indiferença ao fácil gatilho e tortura nas prisões. Há um longo caminho a percorrer, quando o domingo terminou, o presidente nos mandou dormir; eu deveria saber que isso só empurra um pouco mais para afastar qualquer letargia restante.

Porque até outubro os nossos sonhos estarão ativos e se esta eleição primária foi ganha se colocando nas esquinas, em conversas privadas, na porta das escolas, em cada bairro onde o “Basta” foi dito, onde o “NÃO” foi dito para a apropriação de nossos desejos e nossos esforços com a única promessa de uma ordem governada pela propriedade privada e a arrogância de um estado cada vez mais policial.

Se esta eleição foi vencida assim, agora a demonstração de poder que o povo coloca nas urnas vai gerar o único “derrame” possível, o de compartilhar o poder coletivo que sabe ocupar as ruas e assim é capaz de modelar seu próprio destino. Que alegria. Contra o terror dos mercados, temos um ao outro.

Fonte: Página 12

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