Bolsonaro convoca ato pró-golpe

Apoiadores de Bolsonaro a caminho. Reprodução

Do Tijolaço

Dentro de uma unidade militar – o Esquadrão Logístico da Força Aérea Brasileira, em Boa Vista, Roraima – Jair Bolsonaro rasgou todas a as diáfanas fantasias e assumiu, publicamente, a convocação do ato dos alucinados marcado para o dia 15.

Confesso que acreditei que, por falta de força política – a direita está dividida – o presidente fosse desmobilizar a aventura.

Porque é uma aventura, tanto pela desmobilização quanto pelo grau de agressividade que uma manifestação contra o Congresso e o Judiciário -não adianta que Bolsonaro o negue – tem nesta hora.

O ex-capitão não economizou nas imagens para dizer que está sendo vítima de ataques e de traições.

“Não é fácil. Já levei facada no pescoço dentro do meu gabinete, por pessoas que não pensam no Brasil, pensam neles apenas.”

Não disse de quem e nem se isso o fez militarizar todo o seu gabinete palaciano.

Será que a proximidade de um desastre econômico está deixando Bolsonaro com a agressividade de um fera acuada, que quer empurrar sobre outros a culpa do que está por vir?

Algo está ocorrendo que ainda não somos capazes de perceber plenamente nesta ofensiva autoritária do presidente.

É de se esperar que o alto oficialato das Forças Armadas não se alinhe a uma tentativa de golpe miliciano nem à decrepitude agressiva do general Augusto Heleno e, neste sentido, vale a pena ler o post-manifesto do general Santos Cruz, semana passada, no Facebook.

Janio Quadros e Fernando Collor apelaram às “forças ocultas” e ao “não me deixem só”. Não funcionou.

Bolsonaro, porém, é muito mais perigoso.

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