Bolsonaro sanciona lei que vai liberar armas às milícias rurais

fotos
Imagem da milícia armada da UDR publicada pelo Estadão em 2003. Nabhan Garcia foi apontado por um fazendeiro em depoimento à PF como o quinto elemento na foto (de boné da Mercedes-Benz) – Foto: Beto Barata / Estadão Conteúdo

Jair Bolsonaro sancionou na terça-feira (17) o Projeto de Lei 3.715/19, que amplia a posse de arma em propriedades rurais. Pelas regras atuais do Estatuto do Desarmamento os integrantes e moradores de uma fazenda só podem manter armas dentro da sede da propriedade.

Com a norma aprovada, os fazendeiros e seus “funcionários” poderão andar armados em toda a extensão do imóvel rural, independente do tamanho da propriedade. O projeto repete neste item, o decreto editado por Bolsonaro que trata do registro e da posse de armas de fogo.

Com isso, as milícias rurais poderão se armar livremente com o decreto de Bolsonaro e a nova lei aprovada. Tradicionalmente as ligações da família Bolsonaro são com as milícias urbanas, agora eles querem estendê-las para o campo.

Em abril deste ano, em discurso na Agrishow, feira de tecnologia para o campo que acontece em Ribeirão Preto, ele já anunciava que “será encaminhado um projeto nosso à Câmara”. “Vai dar o que falar, mas é uma maneira que nós temos de ajudar a combater a violência no campo, é fazer com que ao defender a sua propriedade privada ou a sua vida, o cidadão de bem entre no excludente de ilicitude. Ou seja, ele responde, mas não tem punição. É a forma que nós temos que proceder para que o outro lado, que teima em desrespeitar a lei, tema vocês, tema o cidadão de bem, e não o contrário”, disse Bolsonaro.

Para montar esse esquema de armamento das milícias rurais, Bolsonaro indicou para o cargo de secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia, ruralista, presidente da UDR, defensor da violência no campo e integrante de milícia rural. Nabhan Garcia já teve que dar esclarecimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra por porte ilegal de armas, contrabando e organização de milícias privadas na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, e apoia o desmatamento da Amazônia.

Sobre as demarcações de terras indígenas, Nabhan Garcia defende as mesmas ideias retrógradas de Bolsonaro. De acordo com o pecuarista, “demarcações feitas de forma indiscriminada geraram conflitos e inseguranças jurídicas grandes para o país, o que o governo não quer”. O miliciano afirmou que haverá uma nova prioridade para se outorgar o benefício “ao índio que esteja mais preocupado em produzir e ser inserido na sociedade, do que em ter mais terras”. (…)

Fonte: HP

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!