Equipe da Universidade de Osaka realiza o primeiro transplante iPS do mundo para doenças da córnea

Uma nova técnica surgida no Japão trás esperança para pessoas que necessitam de transplante de córnea, e enfrentam longo tempo de espera por doadores.

Koji Nishida, que lidera a equipe da Universidade de Osaka que conduziu o primeiro transplante iPS do mundo de tecidos da córnea, fala em uma entrevista coletiva quinta-feira na universidade. | KYODO

Uma equipe de pesquisa da Universidade de Osaka disse nesta quinta-feira (29) que realizou o primeiro transplante mundial de tecidos da córnea usando células-tronco derivadas artificialmente em julho.

A equipe da universidade, liderada por Koji Nishida, pode ter criado um novo tratamento para aqueles que sofrem de doença da córnea, já que os procedimentos atuais de tratamento envolvem a espera de doações de córnea por doadores falecidos. Um total de cerca de 1.600 pacientes no país aguarda doações de córnea, segundo estimativa do Ministério da Saúde.

A paciente, uma mulher de 40 anos que sofria de deficiência de células-tronco epiteliais da córnea, recebeu alta do hospital em 23 de agosto após receber o transplante em seu olho esquerdoem 25 de julho. Sua visão melhorou consideravelmente e houve nenhum problema detectado até agora, disse a equipe.

“Realizamos apenas a primeira operação e continuaremos monitorando o paciente com cuidado”, disse Nishida em entrevista coletiva, acrescentando que a equipe espera tornar o tratamento prático em cerca de cinco anos.

A doença da córnea é causada pela perda de células no olho que produzem a córnea devido a doença ou lesão, levando à piora da visão e à perda da visão.

A equipe transplantou tecidos da córnea extremamente finos, semelhantes a folhas, produzidos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas por outro indivíduo, ou células iPS, que haviam sido armazenadas na Universidade de Kyoto.

A equipe acredita que o transplante deve permanecer eficaz durante a vida do paciente. Os pesquisadores continuarão a monitorar o paciente para observar a eficácia e a segurança do transplante e procurarão sinais de tumor.

O Ministério da Saúde, em março, aprovou os estudos clínicos da equipe de pesquisa em quatro pacientes adultos. A equipe planeja realizar outro transplante este ano.

Espera-se que as células transplantadas continuem produzindo mais células da córnea e, portanto, contribuam para a recuperação da visão.

As operações convencionais de transplante de córnea são propensas a rejeição porque as células imunes são implantadas junto com o resto da córnea.

As folhas de células da córnea usadas pela equipe não contêm células imunes; portanto, a equipe acredita que é improvável que elas sejam rejeitadas.

As células IPS, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido corporal, foram identificadas por Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, que ganhou o Prêmio Nobel de 2012 em fisiologia ou medicina por seu trabalho. O primeiro estudo clínico do mundo usando células iPS foi realizado em 2014 pelo instituto Riken, apoiado pelo governo, transplantando células da retina para uma mulher com degeneração macular relacionada à idade.

Fonte: Agência Kyodo

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