Marechal Zhukov, a batalha de Kursk e as esquerdas

Uma das lições que tiramos ao estudar a história das grandes batalhas, excetuando os relatos de destruição e mortes, é a estratégia  e a genialidade adotada pelos generais, revertendo de forma inusitada uma situação de provável derrota.

Na segunda guerra mundial, após a vitória em Stalingrado, as tropas soviética com moral elevada avançaram rapidamente no front sul da Rússia para recuperar os terrenos perdidos para os alemães  em batalhas anteriores.

Ciente do perigo, o marechal Von Manstein  conseguiu deter o avanço soviético ao norte em Orel e ao sul em Kharkov. Mas entre essas duas áreas os soviéticos conseguiram avançar profundamente nas linhas inimigas e criaram uma enorme saliência que continha grande quantidade de homens e armamentos. E dentro dessa enorme área estava a pequena cidade de Kursk.

Hitler furioso pela perda de Stalingrado traçou junto que com os seus generais o plano chamado de “Citadel” e ordenou o ataque em massa sobre Kursk. O plano consistia em avançar a partir do norte e do sul em direção a Kursk e encurralar os soviéticos em um enorme bolsão. E este bolsão poderia, então aos poucos ser destruído.

Para que o plano funcionasse era preciso que o ataque fosse fulminante, antes que os soviéticos pudesse preparar suas defesas. Os soviéticos por sua vez, através de uma complexa rede de espionagem na Suíça, já sabiam da data e hora exata do ataque, o que possibilitou a  preparação das linhas de defesa.

Mapa da região de Kursk

Zhukov o grande estrategista que era, preparou também um grande reserva na retaguarda para serem utilizadas na hora certa. Essa armadilha seria decisiva para derrotar a Alemanha nazista no front oriental.

Em 5 julho de 1943 os alemães iniciaram o ataque numa manobra militar conhecida como “pinça” e foram recebido com enorme fogo de artilharia, apesar da tenaz resistência, na manhã do dia seguinte, no norte os alemães conseguiram avançar escassos 10 km de terreno  com perdas de 25 mil homens e mais de 200 tanques, e ao sul haviam conseguido avançar 40 km  com  perda de 10 mil e de 350 tanques.

Naquele momento ficava claro para o alto comando alemão que não haveria um avanço rápido conhecido como Blitzkrieg.

Então em 12 de julho de 1943,  Zhukov lança suas reservas estratégicas, o 5º exército com 900 tanques partiram rapidamente em direção da localidade de Prokhorovka.

Neste combate participaram ao todo 2000 tanques, e passou para história como a maior batalha de tanques da história.

Mais uma vez a genialidade de Zhukov fez diferença. Ele sabia que os poderosos tanques alemães possuíam canhões com maior alcance de fogo em relação tanques T-34 e que desse modo poderia tornar um alvo fácil de ser destruído. Porém, essa aparente desvantagem poderia ser compensada, pois os tanque T34 eram muito mais rápidos.

Era preciso surpreender inimigo! Então ele resolveu fazer dos tanques uma cavalaria, e ao amanhecer os tanques T34 avançaram rapidamente nas linhas alemãs e disparavam a queima roupa. A ordem para deter o avanço dos tanques alemães a todo custo  foi seguida a risca.

Os alemães surpreendidos, ficaram estupefactos ao verem que os tanque soviéticos  já sem munição, literalmente ficaram frente aos tanques alemães impedindo sua passagem, e chegavam as vezes até abalroar.

Deste modo não restavam aos tripulantes alemães outra solução, se não de abandonar seus postos para se renderem ou enfrentar uma batalha corpo a corpo.

Eis o relato de Pável Rotmistrov, comandante militar soviético:

“Poucos minutos depois, os tanques do primeiro escalão das nossas 29ª e 18ª Divisões, atirando em movimento, com um impacto frontal, penetraram nas disposições militares das tropas alemãs-fascistas e com um rápido e lancinante ataque, literalmente perfuraram as disposições do inimigo. […] Os seus “Tigres” e “Panteras” foram privados da supremacia do seu poder de fogo, no combate de curta distância. No início da ofensiva, eles se aproveitaram dessa supremacia durante o confronto com as nossas outras conexões de tanques e agora estavam sendo derrotados com êxito pelos tanques T-34 soviéticos e até mesmo pelos T-70, a distâncias curtas. O campo de batalha era um turbilhão de fumaça e pó, a terra tremia devido às explosões poderosas. Os tanques colidiam uns com os outros e ficavam enroscados sem conseguir se separar, então lutavam até a morte até que um deles se inflamava como uma tocha ou parava com as lagartas destruídas. Mas mesmo os tanques abatidos, se as suas armas estivessem em condição de operar, continuavam a disparar”.

Ao final de um único dia os alemães perderam mais de 350 tanques, e estavam perdendo o terreno conquistado, e em 23 de julho os alemães perderam todo o terreno e uma parte considerável de seu exército.

Com as enormes perdas de homens e equipamentos a partir daquele momento os alemães não poderiam mais tomar qualquer tipo de iniciativa ofensiva. Sem outra alternativa, iniciaram medidas defensivas desesperada contra um inimigo cada vez mais forte.

A batalha de Kursk não foi apenas mais uma batalha dentre tantas outras. Ela foi determinante para mudar o destino da URSS assim como dos aliados na segunda guerra Mundial.

Faço esse paralelo para transpor ao momento atual do Brasil.

Durante a campanha presidencial para a reeleição de Dilma Roussef,  já se antevia um radicalismo da extrema direita seja na mídia divulgando fakes ou até mesmo em agressões a militantes de esquerda, culminando na morte de um militante do PT em Curitiba.

As eleições de 2018 se houver, tem todos os ingredientes para ser uma campanha extremamente violenta. Antes, o que era identificado como um adversário político, agora passa a ser o inimigo a ser destruído.

Apesar dos diversos agrupamentos de direita terem sua própria agenda, dependendo dos rumos da campanha eleitoral e o provável crescimento das esquerdas, haverá certamente um recrudescimento nessa radicalização para manterem a todo custo as posições conquistadas com o golpe.

O risco da esquerda é não entender o momento atual. A grande batalha das esquerdas neste momento passa pela defesa da liberdade e a candidatura de Lula para presidência da república. Lula é hoje o único candidato da esquerda com condições ideais para vencer as eleições e barrar o agenda neoliberal dos golpistas.

Seria desastroso uma eleição sem um representante da esquerda no segundo turno devido ao sectarismo e falta de visão.

Em que pese as diferenças ideológicas, agora é um momento de união, porém, a experiência nos mostra que para as esquerdas, eleger apenas o presidente não é o bastante.

É necessário eleger uma expressiva bancada na Câmara dos Deputados e do Senado,  constituída não apenas pelo PT, PC do B, PSOL, mas também com representantes do PCO, PSTU e do PCB, que dê sustentação as políticas sociais e a reversão do roubo ao patrimônio público que é privatização e a terceirização no mundo do trabalho. Porque afinal, para a extrema direita todos da esquerda são comunistas, quer queira quer não, e por isso devem ser eliminados!

 

 

 

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