Movimentos populares leais a Evo dão prazo para golpistas deixarem La Paz

Clima é tensão crescente após forças armadas imporem a renúncia do presidente indígena e sindicalista

Revista Fórum – Com a consumação do golpe na Bolívia neste domingo (10), depois das Forças Armadas e da Defensoria Pública mandarem Evo Morales renunciar à presidência, movimentos sociais que defendem o governo do ex-líder sindical  cocalero boliviano estabeleceram um prazo de 48 horas para que o líder das extrema-direita Luis Fernando Camacho e demais golpistas se retirem de La Paz, capital do país. A declaração foi dada na madrugada desta segunda-feira (11).

O anúncio veio por parte da Federação de Juntas Vecinales de El Alto, espécie de comitê popular da cidade, que pede a saída do país dos golpistas. O grupo instrui, ainda, a formação de comitês de autodefesa, bloqueios e mobilização permanente, também convocando a polícia boliviana a fortalecer a luta popular. Caso os paramilitares não reajam aos pedidos da oposição, Bolívia pode ir à Guerra Civil.

Um dos comandantes do golpe de Estado promovido contra Evo Morales, Camacho invadiu o Palácio de Governo da Bolívia pouco antes de a renúncia do presidente Evo Morales munido de uma Bíblia e uma bandeira do país. O líder da oposição comandou a ala mais violenta das manifestações que resultaram na queda de Morales e tinha o apoio do Itamaraty, comandado pelo olavista Ernesto Araújo.

Pouco antes de Morales oficializar sua saída do posto, uma série de lideranças do MAS, partido oficialista, apresentaram renúncia. Governadores, deputados, senadores, ministros e a presidenta do Tribunal Supremo Eleitoral deixaram seus postos em meio ao avanço da violência dos golpistas, que queimaram casas e perseguiram parentes dos moralistas. Ainda, com rostos tapados, membros de grupos paramilitares prenderam a presidenta e o vice-presidente do TSE.

Confira o pronunciamento das Juntas Vecinales de El Alto:

Solidariedade Internacional

Além do ex-presidente Lula, do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, e do ex-ministro Fernando Haddad, o Ministério de Relações Exteriores russo também expressou sua preocupação frente aos acontecimentos da Bolívia, classficiando o ocorrido como “um golpe de Estado orquestrado”.

“Apelamos a todas as forças políticas da Bolívia para que ajam de maneira responsável e sensata, busquem uma saída constitucional para restaurar a paz e a tranquilidade, restaurem a governança nas instituições estatais, garantam os direitos de todos os cidadãos e desenvolvimento econômico e social do país, com o qual nos une uma relação de amizade, interação construtiva e cooperação mutuamente vantajosa”, afirma o comunicado.

O apoio também veio de fora da América do Sul. O líder britânico do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, condenou o golpe de Estado que Morales sofreu. “Ver Evo Morales quem, junto com um movimento poderoso, trouxe tanto progresso social ser forçado a sair do cargo pelas forças armadas é assustador. Condeno este golpe contra o povo boliviano e apoio-o pela democracia, justiça social e independência”, disse.

Já o líder do partido espanhol Podemos, Pablo Iglesias, disse que os anos em que Morales esteve no poder a Bolívia “melhorou todos os seus indicadores sociais e econômicos” e ainda dedicou todo o apoio ao povo boliviano. “Vergonhoso que haja meios que digam que o exército faz o presidente renunciar”, criticou.

O presidente do México, Andrés Manuel Lopez Obrador, disse que o país se manifestará oficialmente, mas reconheceu a “atitude responsável” de Morales em renunciar para não “expor seu povo à violência”. Segundo um comunicado do secretário de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, o país ofereceu exílio a Evo Morales.

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