O que esperar da reunião do G-20?

Osaka (Japão) – A reunião G-20 – grupo dos 20 países que compõe as maiores economias do mundo; que acontecerá nos dias 28 e 29 em meio as vários tensões principalmente a guerra comercial travada pelo EUA à diversos países.

Torre Tsutenkaku – um dos símbolos de Osaka

Devido essas tensões,  haverá muitas “reuniões’ á parte para tentar resolver esses conflitos. De acordo com analistas políticos japoneses, vários temas dominará este encontro. Enumeramos e analisamos dois desses temas a seguir:

Japão x Rússia

Um desses encontros à parte e tratada com muita ansiedade pelos japoneses e nem tanto pelo lado russo, é a reunião privada entre o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O motivo principal dessa reunião será em torno da disputa das ilhas Kurilsk (Curilas) que hoje pertence à Rússia. O primeiro-ministro jurou no túmulo de seu pai que traria esse grupo de quatro ilhas (Shikotan, Kunashir,Habomai e Iturup) de volta á soberania japonesa.

Entendendo o caso

Reprodução

As ilhas têm sido alvo de uma latente disputa territorial entre os dois vizinhos por décadas, mas seu destino voltou às manchetes depois que Abe e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordaram em novembro em intensificar as negociações sobre um tratado de paz.

Moscou e Tóquio encerraram a disputa na Segunda Guerra Mundial sem um tratado formal de paz e essa situação não mudou desde então, devido às antigas reivindicações de quatro ilhas russas de Kurilsk, referidas no Japão como “Territórios do Norte”.

No início de janeiro, Abe anunciou que estava determinado a “pôr fim” à disputa territorial e assinar um tratado de paz com a Rússia em 2019.

A posição da Rússia sobre a questão permanece inalterada, segundo o Kremlin, e ainda acrescentou que um tratado de paz entre as duas nações deve basear-se no “reconhecimento incondicional e completo do Japão dos resultados da Segunda Guerra Mundial, incluindo a soberania da Rússia sobre as Ilhas Kurilsk”.

As Ilhas Kurilsk (Curilas) representam um dos muitos postos defensivos exteriores da Rússia, quer fora das suas fronteiras contíguas (como no caso de Kaliningrado), as fronteiras nacionais (Armênia, Tadjiquistão, por exemplo), e até mesmo a massa de terra continental eurasiana (Novaya Zembla e, é claro, as Kurilsk). Cada uma delas desempenha um papel específico na postura defensiva e de dissuasão maior, e cada um tem suas peculiaridades.

É preciso evidenciar que, o exemplo de expansão da OTAN na Europa deixou claro que qualquer tratado entre a Rússia e os EUA “é mero pedaços de papel”. Portanto qualquer acordo é realmente uma má ideia, pois os EUA e seus aliados têm mostrado um padrão de ignorar os seus compromissos o mais rapidamente conforme uma oportunidade se apresenta. Não há nenhuma indicação de que qualquer um no Kremlin gostaria de repetir a lição, e não parece haver qualquer coisa tangível que Tóquio poderia oferecer a Moscou para compensar a perda das Kurilsk, que é estrategicamente mais importante para a segurança da Rússia do que para a do Japão.

Outro fato que pesa significativamente, o Japão juntou-se às sanções econômicas lideradas pelos EUA contra a Rússia, naturalmente, significava uma resposta à Rússia, não só no domínio econômico mas também militar. E as Ilhas Kurilsk representam coletivamente uma barreira que separa a Rússia do Oceano Pacífico, a partir do Mar de Okhotsk, portanto, o controle do Japão sobre o arquipélago teria por efeito engarrafar a frota russa do Pacífico e minar a dissuasão estratégica submarina baseada no Pacífico.

Portanto, apesar dos esforços e de certo voluntarismo da chancelaria japonesa, a opinião dos especialistas é que nunca as ilhas voltará à soberania japonesa.

Disputa EUA x China

Outra reunião à parte que promete muita discussão ocorrerá entre Donald Trump e o homólogo chinês, Xi Jinping.

Trump confirmou que ambos realizarão uma “reunião ampliada” na próxima semana à margem da cúpula do G20.

Os dois países estão envolvidos em uma guerra comercial, e Trump em conversa telefônica com o presidente Xi Jinping disse que ambos farão esforços para resolver suas diferenças e, assim, encerrar sua guerra comercial.  Do lado chinês, Xi Jinping, em gesto de confronto com os EUA, está na Coréia do Norte desde quinta-feira, 20.

O fato é que os EUA estão envolvidos em várias frentes em sua guerra híbrida, até recentemente a guerra na Síria era o centro das atenções de Washington. Mas o escolhas dos EUA, puseram em xeque as suas posições no Oriente Médio, como no caso o apoio as milícias Curdas, provocou o afastamento de um importante aliado como a Turquia.

Posteriormente foi a tentativa de minar a Coréia do Norte, porém, este adversário têm armas nucleares, e não estão dispostos a se render para conseguir um Tratado de Paz, que como é de conhecimento geral, os EUA não cumprem nenhum compromisso. Nesse caso, o rompimento do acordo com o Irã promovido por Trump serve de exemplo, do que a Coréia do Norte pode esperar.

Na Venezuela, a última tentativa fracassada do golpe promovido pelos EUA, desmoralizou de vez a oposição e seu marionete Guaidó. O custo de uma intervenção militar dos EUA na Venezuela seria alto demais e parece que Trump não está disposto á pagar para ver.

Ao que tudo indica, pelos acontecimentos recente como o “episódio das explosões” de dois navios petroleiros no estreito de Ormuz, que o Irã é o alvo da vez dos EUA.

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