Quando se utiliza de argumentos corretos para causa errada

Um dos artífices da vitória de Bolsonaro e por conseguinte, tudo o que de errado está acontecendo neste país, recorre ao comunista Ho Chi Minh nas redes sociais para defender seus argumentos.

General Villa Bôas e Ho Chi Minh

O general da reserva Eduardo Villas Bôas e ex-comandante do Exército, no Twitter recorre a Ho Chi Minh, para argumentar a respeito da interferência da França na questão ambiental brasileira – lê-se devastação da Amazônia – e defender Bolsonaro.

A questão que se coloca é de onde viria autoridade moral daquele país que, como disse Ho Chi Minh, é a pátria do Iluminismo, mas quando viaja se esquece de levá-lo consigo.”

Estranho, não!?

Será que não havia alguém do rol da direita para o general utilizar em seus argumentos, ao invés do comunista, herói e libertador do Vietnã?

Quem sabe, Olavo de Carvalho o guru da extrema direita bolsonariana!

É certo que a França é imperialista, que já não conta com o poderio global de antigamente, mas a única coisa que legitima o presidente francês, Emmanuel Macron como defensor da Amazônia, e porque não, até da Humanidade,  é a política destrutiva do governo Bolsonaro – o “Nero da Amazônia”. E apesar da falta de autoridade moral, e portanto, a França se meta a dar palpites sobre a Amazônia, é a hostilidade de Bolsonaro á questão ambiental, que tem como ministro do 1/2 ambiente um tal de Ricardo Sales – sociopata – incentivador da violência contra movimentos de trabalhadores rurais e apoiador dos latifundiários.

De  resto o escrito pelo general Villas Bôas sobre a França, no Twitter, é verdadeiro:

Trata-se da mesma França que, de 1966 até 1996, a despeito dos reclamos mundiais, realizou 193 testes nucleares na Polinésia Francesa, expondo o Taiti, ilha mais povoada da região, a índices de radiação 500 vezes maiores que o máximo recomendado por agências internacionais.

Segundo uma reportagem do UOL Notícias, datada de 11/03/2015, uma equipe de médicos franceses calculou, no ano de 2006, que os casos de câncer aumentaram nas ilhas da região por conta daqueles testes nucleares que atingiram os próprios cidadãos franceses.

Os desabitados atóis de Mururoa e Fangataufa escondem, até hoje, 3.200 toneladas de material radioativo de diferentes tipos, produto das explosões nucleares do exército francês, o mesmo que Macron usa para nos ameaçar.”

Em um dos trechos ele denuncia a ingerência, que ele definiu como inaceitável:

A questão ultrapassa os limites do aceitável na dinâmica das relações internacionais. É hora do Brasil e dos brasileiros se posicionarem firmemente diante dessas ameaças, pois é o nosso futuro, como nação, que está em jogo.

É correto e um dever patriótico defender a soberania nacional, mas essa defesa soa de modo hipócrita, quando a bem pouco tempo atrás, Bolsonaro e sua matilha da extrema-direita, apoiou de forma aberta o impostor Guaidó e a invasão da Venezuela e o general ficou calado.

 

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + catorze =