2 de julho de 1925: nasce o líder revolucionário Patrice Lumumba

Dia 2 de julho de 1925 nasceu Élias Okit’Asomboem Onalua, uma aldeia na província do Kasai (mais tarde República do Congo, depois Zaire e hoje República Democrática do Congo), que depois ficou conhecido como Patrice Émery Lumumba. A figura de Lumumba foi conhecida por ser um grande líder anti-colonial e político congolês, contra as atrocidades, a escravidão, e o verdadeiro genocídio dos belgas em seu território.

Sua biografia se inicia como um típico filho de camponeses pobres, estudando no primário de uma escola missionária católica – a única possibilidade para muitos jovens africanos da época -, ingressando na juventude no funcionalismo dos correios e mais tarde empregado de algumas companhias belgas.

Em sua curta e tumultuada carreira política, ele optou por se alinhar aos valores anti-imperialistas e do pan-africanismo, defendendo ferrenhamente a solidariedade entre os povos da África para além dos limites de nação, etnia, cultura, classe e gênero. Organizou e encorajou a luta, porém, não-violenta contra o colonialismo e clamou pelo diálogo com os países desenvolvidos – que nunca quiseram diálogo, apenas demagogia imperialista para escravizar todos os países atrasados e assim o fizeram e ainda fazem até hoje. Foi fundador do Movimento Nacional Congolês (MNC), encabeçando como a principal liderança na luta contra a dominação colonial belga no Congo, tendo participação decisiva na libertação do seu país do jugo imperialista europeu.

Eleito primeiro-ministro em 1960, assumiu o cargo por apenas 12 semanas, sendo derrubado por um golpe de estado liderado pelo coronel Joseph Mobutu. A crise política do Congo, como sempre, foi gerada externamente, por financiamento de interesses imperialistas, já que durante as celebrações oficiais o empossado denunciou publicamente as práticas racistas dos colonizadores, esses trataram de derruba-lo o mais rápido possível antes que ateasse fogo no país. O discurso de Lumumba ficou conhecido por gerar tumulto generalizado nas ruas e nas casas onde os congoleses o escutavam. O rei belga e os diplomatas estrangeiros ficaram chocados com tal atitude e tomaram a decisão.

Dessa crise se abriu uma guerra civil e Lumumba enviou as suas próprias tropas. Com crenças antigas no diálogo com as potências imperialistas genocídas, o líder congolês também acreditou em um pedido desesperado de ajuda às tropas das Nações Unidas e à União Soviética. Estando no período da Guerra Fria, e em cima do período da Revolução Cubana, os EUA viram a abertura para o avanço da luta no sentido do comunismo na região, pois, como de regra, em todos os países onde o imperialismo buscou oprimir, destruir, matar e pilhar, os povos se revoltaram. Os norte-americanos e belgas se alinharam contra a possibilidade desse avanço da influência soviética na África, utilizando da velha tática de subornar figuras próximas aos líderes que serão assassinados,  compraram o chefe do exército Joseph-Desiré Mobutu, um ex-amigo e confidente de Lumumba – e o ditador que, mais tarde, governaria o Congo durante mais de 30 anos.

Sobre sua morte, após ser destituído em setembro, tentou fugir para o leste do país e foi capturado, Colocado em prisão domiciliária, em novembro conseguiu escapar, mas foi depois capturado pelas tropas de Mobutu, que o espancaram e torturaram. Seu assassinato aconteceria em 17 de janeiro de 1961, com apenas 34 anos, tendo sido executado por um pelotão organizado por oficiais belgas.

Hoje se sabe que foram os EUA e a Bélgica, que viam o líder congolês como alinhado à União Soviética e após o exército congolês revoltar-se contra os oficiais belgas que ainda estavam a comandar, intervindo militarmente e apoiando a secessão da região de Katanga, rica em minérios, do resto do país. Porém, essa explicação oficial veio só mais tarde, pois na época a versão falsificada pelo imperialismo era de que Lumumba tinha sido assassinado por moradores de uma vila em fúria.

Um fato interessante sobre o livro, “O assassinato de Lumumba”, do sociólogo belga, Ludo de Witte (que estudou o Congo há mais de 20 anos e aborda meticulosamente a queda de Lumumba), é que o mesmo levou a Bélgica a criar, em 2000, uma comissão parlamentar de inquérito. Dois anos mais tarde, o ministro belga dos Negócios Estrangeiros, Louis Michel, pediu desculpas à família e ao povo congolês pelo papel dos oficiais de Bruxelas no assassinato, o que de pouco serve frente a todas as atrocidades dos Belgas por toda uma parte da África. Foram genocídios

Vale ressaltar que Witte não ficou satisfeito com este pedido de desculpas. Denunciou: “A comissão de inquérito belga concluiu que a Bélgica teve uma responsabilidade moral no assassinato de Lumumba, algo muito vago. Fica a meio caminho entre negar o que aconteceu e publicar toda a verdade.”

Enfrentar os imperialistas do Estados Unidos da América e os seus antigos colonizadores, conferiu a Lumumba a reputação de um herói popular, um ‘Che Guevara’ do Congo. E a lição que fica de mais esse episódio – que nada tem de isolado -, é que o imperialismo norte-americano interfere em todos os países onde há interesses econômicos, petróleo, minérios, ou onde os povos oprimidos se organizam contra seu domínio. Os imperialistas assassinaram tantos líderes populares, socialistas, comunistas, sindicais, esquerdistas, artistas de esquerda, que fica difícil listar. Essa lista de genocídio vai desde esquerdistas que defendem a paz e o diálogo, como Lumumba, até Thomas Sankara, de Burkina Faso, um líder marxista, defensor da luta armada. A CIA compra pessoas próximas, organiza intervenções militares, financia armamento, treina mercenários, e essa a verdadeira face dos EUA, bem como do imperialismo mundial.

Do Diário da Causa Operária

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

onze − cinco =