A Ideia Juche e o Marxismo-Leninismo – Nenhuma contradição, nenhum desvio

Na ocasião histórica em que marca-se o bicentenário de nascimento de Karl Marx, o grande líder da classe operária internacional e autor da teoria científica comunista, elaboramos um texto informativo onde visamos esclarecer sobre a construção do socialismo de estilo coreano e sua formação partindo de base marxista-leninista, sem qualquer negação aos princípios de Marx e Lenin, embora enfoque em questões que fazem da Ideia Juche uma filosofia revolucionária original

 

Muitos precipitadamente avaliam a Ideia Juche como uma ideia revisionista que nega o marxismo-leninismo alimentando-se de informações e análises deturpadas da grande mídia pró-imperialista, fazendo coro reacionário contra a RPDC. Além disso, possuem uma incompreensão extrema sobre o nacionalismo, tratando-o de forma equivocada, para não dizer leiga, como uma espécie de “chauvinismo”, colocando a RPDC como um Estado que desviou-se do caminho marxista para tomar um caminho “social-fascista”.

Tais análises de péssima intenção merecem ser jogadas no lixo da história, pois tratam-se de forças pró-imperialistas que desviam e confundem as massas populares. Graças a indivíduos e grupos de posição desrespeitosa com a sociedade coreana em si, a Coreia Juche, um dos poucos Estados socialistas sobreviventes no século XXI, é posto isolado como um país “diferente”, “estranho” e “hostil”, afastando grande parte dos povos de vários países de conhecerem mais sobre a realidade do país, seus pontos de vistas e sobre seus desenvolvimento.

Graças aos esforços dos progressistas pró-RPDC, tivemos ao longo dos anos avanços significativos para levar uma imagem da RPDC que se opõe completamente ao que é passado nas grandes mídias. Este trabalho todavia trás-nos ofensas e ameaças constantes e uma taxação de “lunáticos” por estar passando uma visão que não pertence a verdade absoluta consolidada em suas mentes pela grande mídia que o alimenta com dados e informações pré-estabelecidos e manipulados.

Como progressista, vejo com grande desprazer não propriamente os setores conservadores que divulgam propaganda anti-comunista a todo tempo, mas sobretudo os setores ditos de “esquerda” que fazem o mesmo papel que a direita enquanto buscar confundir e dividir as massas populares, além de as encher de sua ideologia liberal. Isso trata-se de um grande problema para os progressistas, comunistas e anti-imperialistas atualmente.

Em vista disso, fazer prevalecer o conhecimento teórico e prático da ideologia e da história é necessário para combater estes pequenos faccionistas que andam em oposição às demandas do tempo por compreensão mútua entre as nações, paz e independência.

É fundamental lembrar-se que o movimento comunista na Coreia data o início do século XX com alguns coreanos residentes na Rússia participando de organizações comunistas. A influência dos movimentos ocorridos na Rússia influenciavam profundamente na Coreia, onde uma luta armada anti-japonesa era intensificada. A China era o principal local para divulgação e aprendizado sobre o marxismo e muitos chineses também adotaram o marxismo como ideologia na mesma época.

No início, o movimento pela libertação da Coreia, dirigido por Kim Hyong Jik, tinha caráter nacionalista e reunia amplos setores das massas trabalhadores, todavia, por meio de conhecimentos adquiridos ao longo de sua jornada, Hyong Jik passou a ter olhares muito positivos sobre movimentos reformistas e comunistas, tornando-se comunista e passando seus conhecimentos para seu filho Kim Il Sung.

Kim Il Sung por sua vez, que ganhou conhecimento passado por seu pai em todo o árduo percurso feito para a luta pela independência da Coreia, avançou seus estudos sobre o comunismo e o divulgou amplamente entre as massas trabalhadoras. Enquanto realizava trabalhos para comandar o movimento anti-japonês, liderando organizações na Coreia e na China, ele definiu o marxismo-leninismo como ideia diretriz para a construção de uma nova sociedade.

O jornal Samil Wolgan (1 de março ), o órgão da Associação para a Restauração da Pátria (ARP) no período da luta armada anti-japonesa, desempenhou um grande papel em despertar o povo coreano para a resistência nacional anti-japonesa. Passava para o povo ideais progressistas, falando sobre os antagonismos de classe, a opressão pelo capital, explicava a “Mais Valia” e outras questões marxistas-leninistas. Da mesma forma, outras publicações foram feitas pelas forças progressistas da época.

Em outubro de 1926, ao criar a União para Derrotar o Imperialismo, o grande líder camarada Kim Il Sung definiu o marxismo como o caminho que leva à libertação das massas.

“Devemos seguir o caminho marxista, que leva à libertação das massas operárias oprimidas do jugo da tirania imperialista japonesa e as prover com a genuína liberdade e felicidade. O marxismo é a teoria mais progressista, revolucionária e científica da história. Sua verdade e seu poder foram provados claramente através da Revolução Socialista de Outubro na Rússia. Sob a bandeira marxista, o proletariado russo combateu, derrubou a monarquia czarista e estabeleceu pela primeira vez no mundo um sistema social em que o povo oprimido vive uma vida feliz. Devemos seguir a bandeira invencível do Marxismo, cuja verdade e poder foi confirmada pela prática.”

Nesta ocasião ele esclareceu a questão de levar adiante um movimento genuinamente comunista, que se preocupa e luta pela libertação da Coreia e que busca a construção de um novo país onde o povo seria o mestre do Estado e da sociedade, em oposição ao comunistas faccionistas que se dividiam em outros grupos com interesses próprios e que por muitas vezes se apoiavam em nações estrangeiras e alguns até mesmo mantinham relações cordiais com os imperialistas japoneses.

“Se o forte e corajoso povo coreano, que é orgulhoso de sua longa história e brilhante cultura, lutar com esforços unidos, poderá certamente derrotar os imperialistas japoneses e conquistar a independência da Coreia. Se o encorajarmos a lutar com unidade, devemos munir as amplas massas com ideias patrióticas antijaponesas e com a ideia progressista do marxismo para desperta-las para a consciência nacional e classista.” – afirmou Kim Il Sung na mesma ocasião.

Em suas memórias “No Transcurso do Século”, Kim Il Sung dedicou um capítulo inteiro para falar sobre sua busca por ideologia avançada, o comunismo, e conta também sobre um de seus mentores que foi o professor Shang Yue que o ajudou nesta busca para obter mais e mais conhecimento sobre ideias progressistas e comunistas. Na mesma obra, Kim Il Sung conta que leu diversas obras incluindo o famoso “O Capital” de Marx, onde referiu-se a dificuldade de compreender certas questões, o que foi esclarecido por outros marxistas mais experientes.

Em suas discussões com seus camaradas, Kim Il Sung defendeu sempre adaptar o marxismo-leninismo às condições específicas da Coreia, em oposição a outros faccionistas que buscavam copiar o modelo soviético ou dos revolucionários chineses. O grande líder sempre defendeu que cada sociedade tem suas particularidades, como a história bem explica, e tendo em vista isso, seria seguir no caminho da derrota tentar copiar outro modelo pois além de não ser compatível com a sociedade em questão, poderia ser ofensivo à sociedade coreana.

Com essa ideia, ele desenvolveu a Ideia Juche, uma filosofia revolucionária original que trabalha com o “homem como dono e fator determinante de todas as coisas”, e que se originou do marxismo leninismo. É bom frisar que embora seja original, por ter seus avanços, não é algo diferente do marxismo-leninismo. A Ideia Juche coloca-se como uma filosofia centrada no homem, trabalhando com um conceito não bem desenvolvido anteriormente, o que trata-se de uma natural evolução ideológica e não um desvio ou criação de uma corrente diferente a ser separada.

Que a filosofia Juche tenha forjado uma nova cosmovisão, não significa que ela tenha negado a dialética materialista. A filosofia Juche a tem por premissa. Sua visão original sobre o mundo, que consiste na tese de que este é dominado e modificado pelo homem, não pode ser concebida a margem da compreensão materialista e dialética sobre a essência do mundo material objetivo e sobre as leis gerais de seu movimento. Se considerarmos o mundo como uma existência enigmática, como pretende o idealismo, não poderemos chegar à conclusão de que o homem é capaz de dominá-lo – e se o enxergamos como algo invariável, como pretende a metafísica, não é possível concluir que o homem possa transformá-lo.” – É o que diz o Dirigente Kim Jong Il em sua obra “Sobre a Ideia Juche.”

Na Conferência de Kalun com 18 anos Kim Il Sung apresentou a Ideia Juche pela primeira vez com a ideia de manter-se em atitude de dono da revolução e da construção de seu país; manter a posição independente de pensar com a própria cabeça, abandonando o espírito de encostar-se nos outros. Isso foi um marco fundamental para o prosseguimento vitorioso da Revolução Coreana que é uma das mais bem sucedidas revoluções comunistas do século e que segue vitoriosa até os dias atuais.

Após a libertação da Coreia, Kim Il Sung estabeleceu comitês populares em todo o país e definiu a democracia como principal requisito para a nova sociedade e foi amplamente acolhido pelas massas populares. Desenvolveu uma nova sociedade promovendo mudanças significativas com a promulgação de leis como as de igualdade de direitos entre homens e mulheres, reforma agrária, e ainda posteriormente ainda marcaria história ao abolir todos os tipos de impostos nos anos 70.

Liderou as três revoluções: ideológica, técnica e cultural – para eliminar resquícios da velha sociedade, tornar o povo profundamente conhecedor da ideologia avançada e estabelecer uma unidade de coração único em torno do Partido e líder, onde todos dividem os bons e maus momentos e conquistam vitórias juntos e desfrutam destas. Fez esforços incansáveis para aprimorar o espírito criativo e independente das massas e estimulá-las ao máximo para trabalharem em prol da pátria.

Sob a sábia guia do Dirigente Kim Jong Il, o trabalho para modelar toda sociedade sob a Ideia Juche foi consolidado brilhantemente, fortalecendo o poder de união de todo o povo em torno do partido e líder e forjando uma garantia confiável para combater os faccionistas e os imperialistas que sempre fizeram movimentos frenéticos para derrubar o sistema social para o país.

Na República Popular Democrática da Coreia, as classes foram abolidas e as diferenças existentes entre campo e meio urbano diminuíram consideravelmente e segue sendo uma função importante do Partido. O trabalhador foi liberto do trabalho pesado e da exploração dos capitalistas, passando a usufruir de seus próprios esforços, como devém à donos da sociedade e do Estado.

O transcurso da Revolução Coreana foi marcado por constante fortalecimento da ideologia reitora, todavia, em momento algum o Juche tornou-se uma ideologia a ser coloca à parte do marxismo. Em momento algum o governo da RPDC mudou seu caráter socialista ou aderiu a qualquer princípio revisionista. Suas “aberturas” entre os anos 90 e 2000 devém de uma necessidade básica de um país que vinha de um período de crise e de forma alguma mudou a forma de gerenciamento de sua economia, planificada desde os primeiros dias até o presente momento. Suas “zonas especiais” são uma forma do país sobreviver em meio ao mundo totalmente tomado pelo capitalismo e comercializar com países capitalistas ou mesmo com países revisionistas não tornam seu país “social-fascista”, como alguns sujeitos desprovidos de caráter, moral e conhecimento científico tentam impor.

A RPDC sempre seguiu uma política independente, respeitando o princípio de auto-determinação dos povos que devem forjar seu próprio destino por sí mesmos, enquanto nunca deixou de criticar os revisionismos e as forças reacionárias de diversas partes do mundo. A RPDC sempre foi um Estado de governantes conscientes, com profunda compreensão sobre a questão de se respeitar os demais países sem promover divisões e brigas no movimento comunista que como bem a história mostra, foi parte do processo do enfraquecimento do movimento em escala mundial.

A única questão passível de discussão trata-se do dito “culto à personalidade”, que segundo os críticos, o governo norte coreano impôs. A análise sobre isso todavia é muito fraca tendo em vista que na questão de “cultuar” os líderes deve-se analisar a questão da cultura coreana onde sempre houve a figura máxima nos tempos feudais e essa figura agora era um revolucionário. Além disso, deve-se notar que nenhum dos líderes fez culto a si mesmo em nenhum momento da história ou pediu medidas para tal, mas sim o próprio partido e povo promoveram esse dito “culto”. Além do mais, ao analisar a questão coreana, não pode-se ser hipócrita e relatar o chamado “culto à Stalin” na URSS como algo não incentivado por ele. É o desconhecimento e o preconceito enorme com o povo coreano que faz com que análises ridículas deste tipo sejam feitas por pessoas que tentam passar uma ideia de “intelectuais”.

É preciso uma análise respeitosa e detalhada para que se possa falar corretamente da revolução coreana.

Na atualidade, a revolução coreana é a que avança com mais velocidade e alcança vitórias atrás de vitórias mesmo contra todos os obstáculos e desafios impostos pelas forças hostis, simbolizando o verdadeiro socialismo do novo século, diferente do revisionismo chinês intitulado de “socialismo com características chinesas”. Ela avança para o caminho da vitória final pois conta com a liderança sábia do respeitado Líder Supremo Kim Jong Un que leva a cabo os ideais dos grandes líderes do passado.

Na ocasião em que se comemora o bicentenário de Karl Marx, podemos dizer que a República Popular Democrática da Coreia mantém seu legado vivo até os dias atuais e trata-se de uma grande prova do brilhantismo dos ideais progressistas do grande filósofo alemão.

O povo coreano olha com profunda emoção para a história de luta da classe operária de todo o mundo e se orgulha de sua revolução que segue ao caminho da vitória final.

Fonte: AP

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