A superação da desigualdade

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Homeless em Los Angeles

Em continuação do artigo “Como vencer a pobreza – A desigualdade destrói a economia global”.

Reaganomics e Thatcherismo

Os políticos iniciadores da onda neoliberal tanto Reagan nos EUA quanto Margaret Thatcher no Reino Unido, tiveram suas tarefas bastante facilitadas com o fim da União Soviética e todo o bloco socialista europeu. Até então os países do bloco socialista era direta e indiretamente um muro de contenção  na defesa dos interesses trabalhadores da Europa ocidental e do mundo.

O fim do Estado do bem estar-social

Para que os trabalhadores não se revoltassem e tentassem instalar governos socialistas, foram criadas redes de seguridades sociais em vários países capitalistas, e que ficou conhecido como Estado do bem estar social.

Com fim da União Soviética e todo o bloco socialista ficou caminho aberto para as chamadas reformas e implementação das políticas neoliberais – privatização em massa, corte nos direitos trabalhistas, enfraquecimento dos sindicatos, redução dos investimentos na área social, ou seja, no que se refere à educação, saúde e previdência social. Na área econômica, corte de impostos das grandes corporações e desregulamentação do setor financeiro global.

O caminho que liga ao inferno está pavimentado de boas intenções

Esta prática, segundo os neoliberais, seria fundamental para movimentar a economia e, consequentemente, gerar melhores empregos e melhores salários. Houve ainda uma série de recomendações especialmente dedicadas aos países pobres, as quais reuniam: a redução de gastos governamentais, a diminuição dos impostos, a abertura econômica para importações, a liberação para entrada do capital estrangeiro, privatização e desregulamentação da economia.

O objetivo do Consenso de Washington foi, em certa medida, alcançado com sucesso, pois vários países adotaram as proposições feitas. Mas o que ocorreu em todos os países que adotaram essa política monetarista é que o capital liberado da taxação de impostos dos governos não retornaram em formas de investimentos produtivos. Com a diminuição de impostos sobre os grandes capitais, os governos acabaram acumulando enormes déficits orçamentário, a solução adotada foi a emissão cada vez mais intensa de títulos da dívida pública.

Só que muitos países não tinham condições de arcar com esse tipo de política econômica, o que gerou uma grande demanda de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Logo, criava-se todo um sistema de privilégios para os países desenvolvidos, pois as medidas neoliberais eram implementadas sob o monitoramento do FMI e toda essa abertura econômica favorecia claramente aos países ricos, capazes de comprar as empresas estatais a preço de banana e de investir dinheiro em outros mercados.

Produzir mas, vender pra quem?

Por outro lado, o argumento de defesa do Neoliberalismo diz que a abertura econômica é benéfica porque força à modernização das empresas. Porém esse argumento cai por terra porque o capital liberado se tornou um capital especulativo ao retornar na forma de empréstimos aos estados nacionais já endividados.

Outro efeito nocivo dessa ciranda financeira, foi o fenômeno da desindustrialização que se verificou até então, se anteriormente á essas reformas o proprietário do capital, prioritariamente era impelido a investir no ramo indústrial devido sua rentabilidade, a partir das reformas o capital não precisava correr mais riscos ao emprestar para governos deficitários.

Como resultado de décadas de políticas neoliberais, de acordo de um estudo divulgado nesta segunda-feira (22/01) pela organização não-governamental britânica Oxfam antes do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça, cerca de 7 milhões de pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do mundo ficaram com 82% de toda riqueza global gerada em 2017.

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Detroit – Uma cidade arrasada

A indústria automobilística motor da economia durante o século XX perdeu sua pujança, a outrora poderosa cidade de Detroit virou uma cidade falida.

Países endividado, nova crise econômica mundial à vista

A crise econômica de 2008, provocado pela falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers, fundado em 1850, os seus efeitos negativos continua até hoje. Soma-se a isto com a nova previsão de uma nova crise mundial já que as bases que levaram a crise anterior não foram solucionadas – a nova “bolha” pode estourar a qualquer momento! Soa como a previsão de um grande terremoto em um lugar que é propenso a acontecer, todo mundo sabe que um dia vai acontecer, mas não se sabe quando!

Abaixo os países endividados mais problemáticos:

Holanda – 2,52 trilhões de dólares, apesar do fato de que a Holanda é um país diminuto a sua dívida acumulada atualmente é gigantesca, constituem aproximadamente 344% do PIB.

Itália – 2,65 trilhões de dólares, assim como a Espanha, a Itália também teve uma enorme recessão, quando o mercado entrou em colapso em 2008, e a União Européia sentiu os efeitos da crise.

Alemanha – 5,54 trilhões de dólares, acumula uma dívida enorme, apesar de ter uma economia avançada e ainda é o mais importante membro da União Européia. É o país da União Européia que mais prega sobre responsabilidade fiscal, mas suas obrigações de dívida fazem da Holanda e Itália parecerem pequenas.

França – 5,75 trilhões de dólares. A França apesar de sua economia ser menor ela consegue vencer no quesito dívida a sua vizinha Alemanha por uma margem pequena.

Reino Unido – U$9,75 trilhões, o nível da dívida do Reino Unido está se transformando em uma grande preocupação. Não é apenas a dívida muito grande em termos absolutos, mas a proporção da dívida alcançou 406% do PIB.

Estados Unidos – 17,75 trilhões, a posição de líder entre os países mais endividados do mundo. A economia mais poderosa do mundo também tem a maior dívida, e seguindo a crise financeira de 2008, o governo apenas foi capaz face a enorme despesas da dívida elevar a dívida-teto, ou seja, rolar a dívida de forma que a situação ficou praticamente fora de controle.

O Brasil

O Brasil não escapou dos modismos, em meados da década de 90 do século passado, o Neoliberalismo começou a ser adotado no curto governo Collor e principalmente nos dois governos consecutivos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em seus dois mandatos presidenciais houve várias privatizações de empresas estatais. Muito do dinheiro arrecadado foi gasto para manter a paridade da nova moeda brasileira, o Real, equivalente a do dólar.

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O Brasil vive um processo de desindustrialização

A abertura do mercado provocou um arraso na indústria nacional. De acordo com a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, no começo da década de 1970 a participação das manufaturas na geração de emprego e valor agregado no Brasil correspondia a 27,4%, em valores da época, enquanto que em 2014 essa participação caiu para 10,9%.

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