AGU defende uso da polícia para coibir debate de ideias nas universidades

Advogado-geral da União, André Mendonça e a professora bolsonarista que estimulou alunos a dedurarem professores. Justiça impediu prática fascista (fotos: reprodução youtube e Vera Lúcia Massaro/Alesp)

Polícia invadiu universidades durante a última eleição

A Advocacia Geral da União (AGU), órgão que representa o governo federal, pediu, na última sexta-feira (24), ao Supremo Tribunal Federal (STF) que autorize a realização de operações policiais em universidades públicas e privadas para coibir o “viés ideológico” de professores durante processo eleitoral.

O pedido, justificando a ação policial, refere-se à discussão que se deu nas últimas eleições, quando juízes de nove estados acionaram a polícia para proibir debates políticos realizados nas universidades durante o período eleitoral. A polícia chegou a invadir algumas universidades para impedir os eventos.

Na época o Supremo decidiu, por unanimidade, liberar liminarmente os debates e, agora, a ministra Cármen Lúcia será a relatora do caso no STF, para a decisão final. Os ministros consideraram que as medidas feriram a liberdade de expressão de alunos e professores e rechaçaram qualquer tentativa de impedir a propagação de ideologias ou pensamento dentro dos estabelecimentos de ensino.

O advogado-geral da União, André Mendonça, insiste na tese de que a iniciativa visa coibir “viés ideológico” de professores em ambientes públicos. “Professores precisam ter um comportamento imparcial, tem assunto polêmico, é natural que se debata. Agora, o que não pode haver é uso de professor sendo tendencioso”, disse o ministro. A decisão do STF será uma resposta a práticas repressivas e obscurantistas que vêm sendo ensaiadas em várias regiões do país.

Recentemente uma deputada bolsonarista de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo (PSL), publicou em suas redes sociais um pedido para que estudantes filmassem professores e denunciassem o que ela considera “doutrinação ideológica da esquerda” sobre os alunos.

A Justiça impediu que esse tipo de prática fascista fosse tolerado num regime democrático. No último domingo, durante ato em Curitiba, uma faixa em defesa da Educação, colocada na frente da Universidade Federal do Paraná, foi arrancada por vândalos. O argumento dos apoiadores de Bolsonaro era de que não podia haver “ideologia nos espaços públicos”.

Fonte: Hora do Povo

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