Brasil sob ataque da extrema-direita, grupos neonazistas se disseminam por todo o país

Os ânimos se exaltaram também na sessão plenária da Câmara Municipal da capital goiana, na última noite. Em outros Estados brasileiros, a presença dos extremistas também tem sido alvo de relatos por parte de parlamentares.

fascismo
Os vereadores precisaram deter a invasão do Plenário, a tapas

A disseminação do neofascismo e o aumento na formação de grupos neonazistas, no país, tem produzido cenas de pugilato, principalmente, nas casas legislativas de vários Estados brasileiros. Na véspera, vereadores de Porto Alegre precisaram expulsar, a tapas, os integrantes de uma gangue de ultradireita que invadiu o Plenário.

O líder do ataque à Câmara Municipal de Porto Alegre, na noite passada, Antonio Bertolin, ocupa um cargo de confiança do prefeito Sebastião Melo (MDB), razão que teria levado o comando da Guarda Municipal a não impedir a ação fascistóide. De acordo com o Diário Oficial do município, ele foi nomeado Gerente de Projetos I do gabinete da Diretoria-Geral do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Demae)

Na manhã desta quinta-feira, a bancada do PT e da oposição foram à Delegacia de Combate à Intolerância para denunciar os ataques fascistas e a Polícia Federal foi acionada, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil na capital gaúcha, para apurar a ação de grupos extremistas no Sul do país. Em outros Estados brasileiros, a presença dos extremistas também tem sido alvo de relatos por parte de parlamentares.

Desserviço

Segundo o vereador Leonel Radde (PT), o manifestante estava em horário de trabalho e segurou um cartaz com a suástica nazista durante o protesto. O parlamentar afirmou, ainda, a jornalistas, que esta não foi a primeira vez que Bertolin invadiu o Plenário. Na segunda-feira, ele estava circulando normalmente na parte interna da Casa, apesar disso não ser permitido.

Os ânimos se exaltaram também na sessão plenária da Câmara Municipal da capital goiana, na última noite. O vereador Novandir Rodrigues da Silva, o Sargento Novandir (Republicanos), chegou a tirar o cinto da cintura e bater na tribuna, dizendo que desejava “educar” outro vereador, Geverson Abel (Avante), além de xingá-lo de “vagabundo” e “canalha”.

— O senhor é um desserviço para a cidade de Goiânia. Eu, algumas vezes, já bati em moleque na rua, e em bandido, quando alguns tentaram me agredir, mas em você vereador, vou ser sincero, eu tinha vontade de tirar esse cinto aqui e te dar um couro — disse Novandir, que integra a extrema direita.

Suástica

Em Porto Alegre, em horário semelhante, parlamentares agredidos por um grupo com cerca de 40 extremistas antivacina denunciaram que, apesar de pedirem a expulsão dos extremistas, a Guarda Civil Municipal agiu apenas no final do tumulto. Os parlamentares precisaram agir por conta própria e enfrentar os agressores.

— Tivemos de tirar na marra os extremistas da direita fascista das galerias — lembrou o vereador Roberto Robaina (PSOL), nesta manhã.

Alguns dos manifestantes contrários à vacina exibiam símbolos extremistas de direita. Um deles, por exemplo, usava uma camiseta com a bandeira Gadsden, dos Estados Unidos, utilizada por supremacistas estadunidenses, e que marcou a invasão de apoiadores de Donald Trump ao Capitólio, em janeiro. Outro manifestante erguia um cartaz com uma suástica.

— Não eram apenas contra o passaporte vacinal. Não estavam apenas tirando a máscara toda hora. Tinham cartazes com a suástica nazista. A Guarda, sempre rapidamente chamada pelas presidências da Câmara quando é para agir contra servidores, rodoviários, estudantes, só apareceu no final. Mas nós cumprimos nosso dever e tiramos todos eles da Câmara — acrescentou Robaina.

Crime

Por sua vez, o vereador Leonel Radde (PT) também denunciou que a Guarda Municipal não agiu e que, por isso, os parlamentares tiveram de tomar a atitude de expulsar a manifestação extremista. Um vídeo nas redes sociais mostra o momento em que Radde arranca o cartaz com suástica das mãos de um dos manifestantes.

O vereador Matheus Gomes, também do PSOL, alertou para a falta de ação da Guarda Municipal frente à invasão.

— Fascistas tentaram invadir a galeria e o plenário da Câmara de Vereadores (…). Com cartazes nazistas e gritos contra o passaporte vacinal, xingaram e ameaçaram vereadores. Até quando as forças de segurança pública serão coniventes com manifestações de apologia ao nazismo? Um nazista entrou na Câmara, foi expulso do plenário por nós, mas até o momento está impune. Essas pessoas devem ser identificadas, investigadas e punidas por esse crime! — concluiu.

Fonte: CdB

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