Negar e desistir, os verbos recorrentes

Vai e vem de informações desencontradas continua a se sobressair no governo

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Negar e desistir são os verbos mais usados na cobertura do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O vai e vem de informações, que marcou a primeira semana da nova administração federal, continuou. Somente ontem – um dia após a cúpula do Palácio do Planalto ter se esforçado para desfazer o mal entendido da sexta-feira (4) no qual o presidente da República foi desmentido por subordinados –, foram três manchetes nesta linha: Onyx nega uso irregular de verba de gabinete de deputado; Bolsonaro desiste de base militar dos EUA no Brasil, diz Folha; Presidente da Caixa nega aumento de juros no financiamento imobiliário para a classe média.

Onyx nega desvio de verba

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, negou em nota ter feito uso irregular da verba de gabinete de deputado federal, conforme reportagem publicada pelo jornal Zero Hora. Segundo a reportagem, Onyx, por quase 10 anos, usou 80 notas fiscais de uma empresa de consultoria tributária para receber da Câmara 317 mil reais em verbas de gabinete. Dos 80 cupons, 29 foram emitidos em sequência pela Office RS Consultoria Sociedade Simples, o que indicaria que o então deputado foi o único cliente da empresa por meses a fio, de acordo com a Reuters.

Bolsonaro recua de base militar

Já Bolsonaro recuou da intenção inicial de permitir a instalação de uma base militar norte-americana em território brasileiro, e fez chegar a informação a oficiais generais da cúpula das Forças Armadas que eram contrários à proposta, segundo o jornal Folha de S.Paulo de ontem. A Folha disse que apurou com generais que o recado foi passado pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, depois da repercussão negativa entre a cúpula militar da ideia levantada pelo presidente. Alta fonte militar disse à Reuters que as Forças Armadas são contra essa ideia.

Presidente da Caixa nega aumento de juro

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, também fez declarações que não se sustentaram um dia. Ontem, ele negou que vai haver aumento dos juros no financiamento da casa própria para a classe média, conforme anunciara em sua posse, anteontem (7), mas destacou que eles permanecerão acima dos juros do Minha Casa Minha Vida, voltado aos mais pobres. Guimarães disse ter ficado incomodado com parte da imprensa que, segundo ele, distorceu suas palavras quando ele falou que os juros da classe média atenderiam as regras de mercado.

Seria a difícil arte de governar?

Com exceção do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, experiente na rotina da capital federal pelo lado do Congresso, é certo que a grande maioria dos auxiliares de Bolsonaro segue o perfil do capitão, de novato na gestão pública. Acostumado a ganhar holofotes com declarações e atitudes polêmicas, o outrora parlamentar e candidato ocupa a principal cadeira da República, com todo o peso que isso significa. Daí que, como se dizia antigamente, caldo de galinha e prudência não faz mal a ninguém. Especialmente para quem está começando na difícil arte de governar.

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