Ex-presidente Lula afirma que ‘não podemos aceitar golpe’

Diante de integrantes de movimentos sociais, religiosos, lideranças partidárias e parlamentares do Estado, como os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), além do governador Rui Costa (PT), Lula disse haver “muita bobagem sendo pensada do lado do governo”.

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O ex-presidente Lula (PT) vem mantendo encontros com líderes da centro-esquerda, entre eles Marcelo Freixo (PSOL) e Jandira Feghali (PCdoB)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao governo, em discurso na noite desta quarta-feira em Salvador, última etapa da viagem ao Nordeste. Lula também mandou recados aos militares supostamente apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em ato no auditório na Assembleia Legislativa da Bahia.

Diante de integrantes de movimentos sociais, religiosos, lideranças partidárias e parlamentares do Estado, como os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), além do governador Rui Costa (PT), Lula disse haver “muita bobagem sendo pensada do lado do governo”.

— Nós não podemos aceitar golpe. Estou preocupado com tanto general de pijama dando palpite. Forças armadas têm papel de garantir nossas fronteiras, mas não de ameaçar politicamente a sociedade brasileira. Eles têm de tomar juízo. Assim, não podem ficar dando trela a um presidente genocida, que foi expulso das Forças Armadas, tentou fazer greve, soltar bomba nos quartéis — afirmou.

Velha política

Ainda segundo o líder popular, que ocupa a dianteira, com folga, nas pesquisas de intenção de voto para o ano que vem, os setores progressistas vencerão o pleito.

— Como somos da paz, queremos distribuir alegria, salário, emprego, educação, saúde, politica ambiental correta. Não podemos cair no jogo rasteiro deles, Mas é importante eles saberem que a gente não tem medo. E que eles parem de privatizar as nossas coisas porque a gente vai ganhar essas eleições — afirmou.

Antes de deixar Natal, na etapa anterior do giro por Estados nordestinos, o ex-presidente se encontrou com líderes políticos regionais e também foi duro nas críticas ao governo Bolsonaro. Em entrevista coletiva, Lula destacou que a situação é agravada ainda mais por um crise política, em que Bolsonaro é refém justamente da velha política que jurou combater.

— O presidente dizia que era o novo e que ia acabar com a velha política. Pois ele caiu na ratoeira da velha política e está mais dependente do que qualquer presidente jamais esteve, com a criação, inclusive, de mecanismo de compra de voto de deputado que nunca teve neste país — disse Lula.

Respeito

O ex-presidente lembrou que Bolsonaro aprovou um orçamento secreto para poder comprar o voto dos deputados.

— Nós sabemos que o presidente da Câmara tem um orçamento pessoal de R$ 3 bilhões, que tem um orçamento do relator de R$ 20 bilhões. Ele está mais enroscado na velha política do que no tempo em que as pessoas diziam que o Brasil era ‘o país do é dando que se recebe’. E ele está dando e o povo continua não recebendo — afirmou.

Para o ex-presidente, embora seja difícil, a reconstrução do Brasil será possível e deve ser feita coletivamente.

— Todos nós precisamos de um pouco de respeito e carinho. Todos nós precisamos ter um governo civilizado, humanista, democrático e que pense com o coração, que não governe pensando apenas no capital, mas também no povo trabalhador. Esse país nós já construímos uma vez — concluiu.

Fonte: CdB

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