Igrejas Evangélicas fazem campanha de desinformação para convencer indígenas a não tomarem vacina contra Covid-19

Ações deste tipo foram relatadas em um requerimento entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia

indígenas
Palmas (TO) – Adereços e pinturas corporais da etnia Pataxó (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Povos indígenas da região norte estão sendo vítimas de desinformação por missionários evangélicos. Os religiosos têm espalhado mentiras, a fim de convencer as comunidades tradicionais a negarem a vacina contra a Covid-19. Ações deste tipo foram relatadas em um requerimento entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, informou a reportagem de Wanderley Preite Sobrinho, publicada neste sábado, 26, no portal UOL.

De acordo com as informações, entre as mentiras mais absurdas contadas aos indígenas, os evangélicos afirmam que a vacina já vem contaminada da China e quem se imunizar será marcado com o número da Besta, o 666 citado no livro bíblico do Apocalipse, ou irá virar um jacaré.

Segundo o relatório, nas aldeias próximas ao rio Içá, afluente do Amazonas, “pastores teriam se dirigido ao município em tentativa de impedir que as vacinas chegassem na comunidade”. A reportagem destacou que esses evangelizadores seriam da Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada por Valdemiro Santiago, e da Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor R.R. Soares, que não se manifestaram sobre o caso.

Já na terra indígena arariboia, no Maranhão, religiosos ligados à Assembleia de Deus usariam áudios e vídeos pelo celular, sistema de rádio e cultos presenciais para convencer os indígenas “a não se vacinarem”, relatou o requerimento.

À reportagem, o povo kokama que vive no entorno de Santo Antônio do Içá, no Alto Solimões, no Amazonas, afirmaram “que o imunizante os transformaria em animais, homossexuais ou os mataria”.

Além disso, na maior concentração de povos isolados do mundo, no Vale do Javari, oeste do Amazonas, “aldeias já disseram à Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde] que não irão aceitar a vacina”, segundo a União dos Povos Indígenas da região.

De acordo com o Comitê Nacional da Vida e Memória Indígena, dos 1,3 milhão de indígenas no Brasil, 54.438 foram infectados pela Covid-19 e 1.072 morreram pela doença. O Ministério da Saúde, no entanto, registrou 673 mortes e procurado pela reportagem não comentou sobre a desinformação propagada pelos evangélicos nas aldeias.

Indígenas arariboia

No caso da desinformação propagada pela Assembléia de Deus entre o povo arariboia, no Maranhão, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas encaminhou, em março, uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), que instaurou um procedimento.

Segundo o órgão, “todos os esforços estão sendo empreendidos pelos profissionais de saúde a fim de superar a campanha de desinformação e vacinar as comunidades”, afirmou em nota à reportagem.

Fonte: jornal GGN

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