Manifestações pela democracia mostram força contra Bolsonaro

Em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, os manifestantes que pedem o fim do governo de ultradireita, comparados aos seguidores de Bolsonaro, superavam visualmente a marca dos 70%

manifestação
Reprodução

A supremacia dos números não deixou dúvidas aos brasileiros indecisos entre apoiar o discurso de ódio do presidente neofascista, Jair Bolsonaro (sem partido), e a luta pela preservação da vida e da democracia, ao longo das manifestações que, apesar da pandemia do novo coronavírus, ganharam as ruas das principais cidades do país. Em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, os manifestantes que pedem o fim do governo de ultradireita, comparados aos seguidores de Bolsonaro, superavam visualmente a marca dos 70%.

Em Brasília, os atos pacíficos foram realizados em pontos diferentes da capital brasileira. Os grupos que foram se manifestar a favor da democracia e contra o governo carregavam diversas faixas com palavras de ordem como “Fora, Bolsonaro fascista” e contra o racismo.

Já os poucos seguidores do presidente levantavam faixas em apoio à “família brasileira” e “pela liberdade”. Para evitar confrontos, a Polícia Militar dividiu a Esplanada dos Ministérios e fez um cordão de isolamento para não deixar que os grupos se aproximassem. Após o fim da manifestação contrária, Bolsonaro foi conversar com os seus apoiadores em frente Palácio da Alvorada e ficou lá, sem máscara, por cerca de 20 minutos.

Batata

Na capital paulista, mesmo após decisão judicial divulgada na véspera de impedir as manifestações, os movimentos que organizam o ato em prol da democracia, marcado a princípio na Avenida Paulista, migraram para o Largo da Batata e lotaram a praça.

Em nota, os organizadores contestaram a decisão. “Nós, torcedores articulados no Movimento Somos Democracia, ativistas do movimento negro e da Frente Povo Sem Medo entendemos que essa decisão atenta à liberdade de manifestação”, diz o texto. ” Apesar disso, para garantia da integridade física dos manifestantes, comunicamos a decisão de mudança do local do ato em São Paulo. Agora acontecerá no Largo da Batata às 14h.”

Os movimentos destacaram que iniciativas em relação à proteção da saúde dos manifestantes estão sendo tomadas. “Reforçamos todas as medidas sanitárias que estão sendo tomadas até aqui, como a criação de uma brigada de saúde para orientação dos manifestantes, a distribuição gratuita de máscaras e álcool em gel e o reforço do distanciamento de, pelo menos, 1,5 m durante o Ato.”

Democracia

“Não vamos aceitar censura, nem intimidação! Estaremos nas ruas em defesa da democracia, contra o fascismo e o racismo”, diz ainda o texto, assinado pelo Somos Democracia, Frente Povo Sem Medo e Ato Urgente SP – Vidas Negras Importam.

Por meio de seu perfil no Twitter, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e ex-presidenciável Guilherme Boulos voltou a defender a mobilização. “Sou filho de médicos infectologistas e tenho consciência da gravidade da pandemia, em especial na periferia de SP, onde moro. Mas infelizmente não é apenas o risco do coronavírus que enfrentamos. Bolsonaro nos força a mostrar que não vamos abrir mão de respirar o ar da democracia”, postou.

Aqueles que apoiam um novo golpe militar no país e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), também em um número muito reduzido, permaneciam em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Firjan), na Avenida Paulista.

Marielle

Já no Rio de Janeiro, a Praia de Copacabana, na Zona Sul da Cidade, também reuniu grupos contra e a favor ao governo, desde as primeiras horas da manhã deste domingo. Os manifestantes que querem afastar o presidente se concentram no Posto 4 da orla, com faixas em protesto contra o assassinato da deputada Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes pela milícia que fez campanha para Bolsonaro.

Os seguidores do governante, com camisetas verde e amarelo e portando bandeiras do Brasil, concentraram-se no Posto 5, a cerca de 300 metros dos adversários, a ponto de brutamontes que frequentam academia de ginástica, que acompanharam o ato a favor do governo, insultarem manifestantes pró-democracia. Chegaram a se aproximar do Posto 4, mas foram impedidos pela Polícia Militar.

Fonte: CdB

 

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