Polícia deflagra operação contra Crivella

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), e pessoas ligadas a ele e à prefeitura foram alvos de uma operação do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil do Estado que investiga suposto esquema de corrupção na administração municipal

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Reprodução

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), e pessoas ligadas a ele e à prefeitura foram alvos de uma operação do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil do Estado que investiga suposto esquema de corrupção na administração municipal.

Os agentes foram às ruas para cumprir 22 mandados de busca e apreensão expedidos pelo 1º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio. Eles estiveram no apartamento de Crivella na Barra, no Palácio da Cidade (residência oficial do prefeito) , sede administrativa entre outros endereços. O celular do prefeito foi apreendido para averiguação.

“A operação decorre de inquérito policial instaurado para investigar possível organização criminosa e esquema de corrupção no âmbito da administração municipal carioca, sendo desdobramento da primeira fase da Operação Hades, executada em 10 de março deste ano”, disse o MP em nota nesta quinta-feira.

Entre os alvos estariam um tesoureiro que trabalhou em campanhas eleitorais para Crivella, o ex-senador Eduardo Lopes, que entrou na vaga de Crivella quando ele elegeu-se prefeito e um empresário.

Na primeira etapa da investigação, a polícia e o MP apontaram suspeitas de irregularidades na Riotur, empresa de turismo da cidade, com a suposta cobrança de vantagens indevidas a agentes públicos.

Corrupção

“As diligências estão sendo cumpridas em endereços residenciais e funcionais de agentes públicos municipais e empresários na capital, nos bairros da Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Tijuca, Flamengo, e em Itaipava e Nilópolis”, informou o MP.

Na semana passada , polícia e Ministério Público abriram inquéritos para apurar o uso de funcionários da cidade para intimidar pacientes e atrapalhar jornalistas na porta dos hospitais municipais. O caso ficou conhecido como Guardiões do Crivella. Uma CPI foi aberta na Câmara de Vereadores para apurar o caso.

Crivella é candidato a reeleição na disputa municipal deste ao e diz ter apoio da família do presidente Jair Bolsonaro.

Essa semana, outro candidato ao comando do governo municipal fluminense, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), foi alvo de um mandado de busca e apreensão.

A prefeitura ainda não se pronunciou sobre a operação dessa quinta.

‘QG da Propina’

A Polícia Civil e o MPRJ no dia 10 de março deste ano cumpriram 17 mandados de busca e apreensão. Policiais estiveram na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, e em endereços de Marcelo Alves, então presidente da Riotur, do irmão dele, Rafael Alves, e Lemuel Gonçalves, ex-assessor de Crivella.

O inquérito que levou à operação foi aberto no início de dezembro de 2019 pelo MPRJ, com base na delação do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na Operação Câmbio Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio.

No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de “QG da Propina”. O doleiro não soube dizer se o prefeito Marcelo Crivella sabia da existência da estrutura.

Mizrahy afirma que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

De acordo com a delação, o operador do esquema era Rafael Alves. Rafael não possui cargo na prefeitura, mas tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016.

Depois da eleição, o empresário emplacou o irmão na Riotur e, segundo o doleiro, montou um “QG da Propina”.

Mizrahy diz que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

Marcelo Alves foi exonerado da Riotur dias depois da operação, em 25 de março. (Com CdB)

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