Projetos de infraestrutura na Rússia – Um balanço de final de ano

Foi um ano de altos e baixos nas infindáveis guerras comerciais dos EUA, o JCPOA* morrendo lentamente e a economia mundial afundando em direção à recessão. A boa notícia é que o temor de que uma grande guerra levasse o PNB mundial a uma profunda recessão não se concretizou, apesar de fatores como a incursão e derrubada de drone americano no Irã

Mais recentemente, tivemos o míssil de cruzeiro e o ataque de drones contra a ARAMCO** saudita, onde, no terceiro dia, Trump disse que os sauditas teriam que decidir o que iriam fazer, pois teriam que pagar por isso. Isso instilou mais fé em todos nós, observadores da guerra, de que os comandos militares dos EUA não eram uma mola espiralada esperando para ser lançada na menor oportunidade de começar uma guerra.

Tivemos as notícias que nos EUA sofreram o quarto mês de queda na produção de acordo com o Institute for Supply Management. O Departamento de Comércio dos EUA também informou que os gastos com construção caíram 0,8%

As guerras comerciais dos EUA, apesar de terem alguma validade na correção de desequilíbrios comerciais sistêmicos, foram descritas como o principal culpado do declínio do PIB mundial. Há outro lado na história que contrasta com a influência limitada que os países podem ter sobre suas exportações quando atingidos por grandes sanções internacionais.

Para os países-alvo com economias maduras e bem diversificadas, o controle completo do desenvolvimento doméstico se torna um salva-vidas em termos de amortecimento das perdas econômica infligida por atores externos. O investimento doméstico pode ser empregado e é um colete salva-vidas do PIB para durar até que o país sancionado esteja em um terreno econômico firme novamente.

Rússia constrói o seu caminho para o futuro

Antecipando um período de guerra comercial internacional, especialmente após o golpe ocidental e da OTAN na Ucrânia e as consequentes sanções dos EUA e da UE à Moscou, Putin já havia iniciado grandes projetos de infraestrutura para proteger o enorme investimento da Rússia em capital humano – seus altamente instruídos e treinados trabalhadores.

Quando as sanções da Crimeia chegaram, ele já tinha uma base de expansão doméstica em que poderia expandir. Um exemplo foi o principal desenvolvimento de perfuração e transporte de recursos energéticos pela rota norte.

As melhorias de transporte estavam no início da lista, que envolve a construção de pontes e túneis, aeroportos, portos marítimos modernos e a expansão de oleodutos para segurança nacional e econômica a longo prazo, onde a proteção da força vital da base industrial de um país é crítico.

No New Easter Outlook foi noticiado a permissão final da última etapa do projeto Nordstream2, um gaseoduto comercial subaquático para o parceiro comercial mais próximo da Rússia na UE, a Alemanha, que vê na conclusão do gaseoduto um fornecedor de suprimento garantido e de baixo custo de gás natural para alimentar sua economia como uma das principais prioridades. Isso foi comprovado pela forte oposição de Merkel à pressão dos EUA para acabar com o acordo.

Gasodutos são as artérias internas da segurança econômica

A construção do Nordstream 2 ainda está em andamento, pois o Congresso dos EUA montou mais uma tentativa de sanções contra os parceiros da Nordstream 2, anexando-a a um projeto de lei de dotações da Defesa que deve ser aprovado em dezembro. Os democratas estão a bordo desse esforço tanto quanto os republicanos, por isso os eleitores não têm opções políticas quando se trata de amordaçar os “gângsteres de sanções”, como estão sendo chamados em alguns círculos agora.

Temos uma tripla jogada no final do ano com relação as notícias sobre gasodutos, com Putin e o presidente da China Xi ativando simbolicamente o gasoduto da Sibéria (Sila Sibiri – Poder da Sibéria) esta semana, iniciando um fluxo de 30 anos no valor de US$ 400 bilhões em gás para a China. A esse evento foi seguido pelas notícias antecipadas de que a Rússia e a China iniciaram negociações para uma nova rota de gás “Sila Sibiri-2 – Poder da Sibéria 2” ao longo da fronteira russo-chinesa do oeste da Sibéria a Novosibirsk.

Essa rota do gaseoduto parece ser a futura fonte de energia prevista para o desenvolvimento das cidades ao longo da Rota da Seda, com os gaseodutos se estendendo para o sul. A questão pendente será: de onde virá toda a água necessária para ajudar a China a espalhar parte de sua enorme população nessas novas áreas?

O presidente Erdogan anunciou que o gasoduto Turkstream, de 570 milhas, será inaugurado com Putin em Istambul no dia 8 de janeiro. O gasoduto fornecerá à Turquia uma parte e a outra ao sul da Europa, além de garantir segurança energética de suprimento de gás, se a Ucrânia continuar com seu objetivo de extorquir com altas taxas o trânsito de gás da Rússia para a Europa.

A Rússia constrói e moderniza dezenas de aeroportos, enquanto o esforço de 13 anos da Alemanha em Brandemburgo se arrasta

Como a Rússia é um país vasto, as viagens rodoviárias são muito lentas para as empresas modernas investirem a longo prazo, se não puderem mover pessoas, serviços e produtos de maneira eficiente por longas distâncias. Uma infra-estrutura sólida de instalações aeroportuárias é uma necessidade.

É surpreendente o investimento alocado na nova expansão dos aeroportos. Estes projetos não foram reunidos de forma desordenada e com orçamentos limitados, mas pelo contrário, foram bem coordenados e projetados, concluídos em alguns casos em menos de dois anos, como o terminal “Onda da Criméia” em Simferopol. O aeroporto internacional de Sochi abriu a tempo para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 como uma vitrine para a economia emergente da Rússia.

O Aeroporto Internacional Sheremetyevo de Moscou adicionou três novos terminais e agora está classificado entre os dez principais hubs aéreos do mundo pelo serviço de classificação da AirHelp, sediado no Reino Unido. Em 2018, seu terminal B obteve a classificação máxima Skytrax. O novo terminal do Aeroporto Pulkovo de São Petersburgo está atendendo 20 milhões de passageiros por ano para atender à bonança turística de seus locais históricos.

Outros aeroportos, como em Novosibirsk, o Kurumoch de Samara, o Ufa nos Urais, foram modernizados. Depois veio o novo aeroporto internacional Sabetta na região de Yamalo-Nenets, Koltsovo em Ekaterinburg, o novo aeroporto internacional de Vnukovo, Vladivostok, aeroporto international de Kazan e o aeroporto de Talakan no Extremo Oriente, Yakutia, de propriedade da empresa russa de petróleo e gás Surgutneftegaz.

Tudo isso foi feito enquanto os infelizes alemães estavam lutando para concluir a atualização do aeroporto de Brandemburgo com enormes custos adicionais. Procure na América do Norte ou na Europa algo semelhante na construção de aeroportos. No entanto, como a mídia de massa ocidental quase nunca escreve sobre desenvolvimento russo, as pessoas não têm ideia do que acontece na Rússia.

A contribuição da Rota da Seda da Rússia é o próximo grande projeto

Vou encerrar hoje com apenas um projeto rodoviário, a parte da rodovia da Rússia para o esforço da Rota da Seda, a rodovia Meridian de 2000 quilômetros que ligará a região de Orenburg, na fronteira com o Cazaquistão, com o entroncamento entre as duas capitais Minsk-Moscou .

Ele está estruturado para ser livre para o tráfego de passageiros, mas financiando-se em parte por meio de pedágios devido à menor rota entre os centros de expedição no oeste da China e na Europa central. O principal financiamento para a construção é o que descreveríamos como “ainda no escuro”, assim como grande parte da construção da Rota da Seda.

Algum tipo de financiamento compartilhado terá que ser arranjado e, como resultado, veremos outra razão para a política de sanções agressivas dos EUA, onde ela pode ameaçar qualquer empreiteiro privado importante que se envolva em um projeto desse tipo e seja submetido a sanções dos EUA por “ameaça a segurança nacional” dos EUA, algo cuja definição parece se expandir a cada mês.

Com a Rússia e a China já sujeitas a sanções e tendo construído sistemas de pagamentos internos e serviços bancários conjuntos, etc., eles estão desenvolvendo soluções alternativas que estão gerando um modelo econômico inteiramente novo e protegido para o desenvolvimento conjunto.

A ironia disso é que a ofensiva comercial dos EUA está fabricando sua própria derrota a longo prazo, à medida que estão sendo construídas estruturas de negócios que podem operar independentemente do comércio americano. Um dia, os americanos olharão para os problemas comerciais autoinfligidos pelos EUA e perceberão que o seu estilo Átila-Huno fracassou.

Mas quem sabe, talvez um dia a China e a Rússia ofereçam um túnel submarino para se conectar ao Alasca quando as atitudes de políticas agressivas americanas mudarem. Se alguém acha que isso é loucura, pergunto: quem esperaria que a China tivesse iniciativa de um gigantesco projeto como o da Nova Rota da Seda? Talvez ninguém!

Notas:
[*] JCPOA – Joint Comprehensive Plan of Action, Plano de Ação Conjunto Abrangente, conhecido como acordo nuclear do Irã ou acordo com o Irã, é um acordo sobre o programa nuclear iraniano alcançado em Viena em 14 de julho de 2015, entre o Irã e o P5 + 1, juntamente com a União Europeia.

[**] A Saudi Aramco, oficialmente a Saudi Arabian Oil Company, é uma empresa nacional de petróleo e gás natural da Arábia Saudita com sede em Dhahran, na Arábia Saudita. É uma das maiores empresas do mundo em receita e, de acordo com relatos da Bloomberg News, a empresa mais lucrativa do mundo.

Com New Eastern Outlook

 

 

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